Queijos e vinhos, a parceria ideal
Fonte: Jornal do Comércio (RS)
Data: 21/7/2006
É por esta época que vicejam os encontros em torno de uma mesa, que bons vinhos e queijos compõem a parceria ideal. Costumo dizer que sobre aqueles, é o seu paladar que deve ter a palavra final, até porque o consumidor brasileiro já aprendeu a distinguir bons de maus vinhos. Mas quanto aos queijos, não custa seguir algumas regras. Como as que enfeixei a seguir, a partir de material distribuído pela Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ). Elas podem proporcionar uma degustação mais prazerosa, uma noite ainda mais agradável, em companhia de quem você gosta - em pleno inverno, nada pode ser melhor.
Para montar a mesa
1. Selecionar cinco ou seis tipos de queijos, preferindo sempre aqueles que agradam a maioria dos convidados.
2. Calcular 150 gramas de queijos por pessoa.
3. Pães neutros, frutas frescas e secas também podem ser ótimos acompanhamentos.
4. Iniciar a degustação pelos queijos de sabor mais suave, deixando por último os mais pronunciados.
5. Brie, Camembert, Emental, Fondue, Gorgonzola, Gouda, Gruyére, Parmessão e Provolone estão entre os favoritos numa boa mesa.
6. Os queijos devem ficar dispostos em tábuas, sem a embalagem original.
7. Para facilitar o corte e orientar os convidados, colocar ao lado de cada tipo de queijo dois a três pedaços cortados.
8. Deixar uma faca de gume liso, separada para cada queijo, evitando que interfiram nos sabores e aromas.
9. Usar facas de gume liso para facilitar o corte e não danificar o produto - as de serrinha são desaconselhadas.
10. Retirar os queijos do refrigerador 30 minutos antes de servir, tempo suficiente para que adquiram sua textura e sabor original.
11. Servir pães neutros como baguette, pães italiano, preto, de centeio e torradas, estas ideais para acompanhar queijos mais cremosos.
12. Evitar pães recheados ou temperados (como os de alho e lingüiça), para não interferirem no sabor dos queijos.
13. Frutas frescas como pêra, maçã e uvas, ou secas, como passas, damascos e cerejas, também são ótimas para serem degustadas com os queijos.
14. Talheres, pratos, copos e guardanapos devem ser arrumados à parte, num canto da mesa ou em uma bancada auxiliar.
15. Também é bom cortar os queijos em pequenos pedaços, no formato original e servir com palitos. Cuidar para que não encostem um no outro.
16. Bandeirinhas dos países produtores de cada queijo ajudam na identificação e dão charme à mesa.
Para conhecer melhor
os tipos do produto
1. Estepe, Esférico, Gouda, Edam e Saint Paulin são queijos suaves, de massa macia.
2. Os queijos de mofo branco são Camembert e Brie.
3. Queijos de olhaduras, tipo suíços: Gruyère, Emental e Maasdamer.
4. Queijo de massa filada: Provolone.
5. Queijos duros, de sabor mais picante: Parmesão e Reino.
6. Queijos de mofo azul: Gorgonzola e Roquefort.
Todos são atualmente produzidos no Brasil, com apreciável qualidade.
adega
O que beber para acompanhar
Claro que a combinação mais charmosa é a que reúne queijos e vinhos, especialmente aqui no Sul, onde o inverno inspira e estimula essa consagrada parceria. Mas há outras, comuns em várias regiões do Brasil, que entre os gaúchos poderiam causar estranheza. Que tal harmonizar queijo com cachaça, como no interior de Minas, ou com vodca, ou com cerveja?
Quem defende a idéia é o maître fromager Jair Jorge Leandro, que há 25 anos estuda a história do queijo e não se surpreende com nada sobre o tema. Ele reconhece que um vinho Cabernet Sauvignon casa perfeitamente com um Brie, um Saint-Emillion com um Estepe, um Merlot com o pronunciado sabor de um Gorgonzola.
"São harmonias clássicas", explica o especialista. Mas ele gosta de ousar, criar, explorar um vasto universo de possibilidades. Eis algumas: o creme bola, de amanteigada e delicada textura, com cerveja Pilsen ou vodca; o queijo minas curado, com cachaça; chèvres (queijos de cabra macios) com cervejas tipo ale; o cheddar, com as tipo stout.
Queijos que não podem faltar na mesa seriam Gouda, Esférico, Provolone, Gorgonzola, Parmesão (em pedaços), Camembert, Cottage e Gruyére. Eles estão entre os mais de 200 tipos produzidos no Brasil. A propósito, as diferenças em relação aos europeus começam pelo solo e as condições climáticas, passam pelo tempo de maturação e pelo fato de que no Brasil o leite é pasteurizado, enquanto na Europa é utilizado cru.
"O brasileiro está habituado a comer queijos no estágio inicial de maturação, o europeu os consome próximos do ápice ou até após a maturação", compara Jair Jorge.
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