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Laticinistas do Sul propõem associação de fornecedores de supermercado

27, novembro, 2012

Apesar de a produção leiteira gaúcha ter caído cerca de 10% devido à seca e dos custos
nostambos terem aumentado até 30% neste ano, nas gôndolas, o preço do leite
integral longa-vida está mais barato do que em 2011. Para tentar ajustar a diferença
de rentabilidade da cadeia dos lácteos, laticinistas propuseram a criação de uma
associação de fornecedores de supermercados, que seria composta por indústrias e
produtores de leite dos três estados do Sul. A ideia foi aventada, ontem, no último dia
doAvisulat, em Bento Gonçalves, como uma alternativa de enfrentamento ao poder
de barganha das redes supermercadistas e para garantir que a remuneração ao
produtor siga a lógica de mercado.
Presente no evento, o Sindicato das Indústrias de Laticínios do Paraná apoiou a
proposta. Conforme o secretário-executivo do Sindilat/RS, Darlan Palharini, a entidade
poderia fortalecer a cadeia produtiva e evitar a venda do produto a preços aviltantes.
“Isso gera um desequilíbrio econômico, inviabilizando propriedades e agroindústrias.”
Ontem, também ficou decidido que será encaminhada à Câmara dos Deputados, em
Brasília, um pedido de audiência pública para tratar da concentração do varejo nas
mãos de grandes redes. Para o presidente do Conseleite, Jorge Rodrigues, as
promoções realizadas pelos supermercados são extremamente prejudiciais à cadeia
produtiva.
“Isso força as indústrias a reduzir os preços. E quem paga a conta é sempre o
produtor.” Também presidente da Comissão de Grãos e Leite da Farsul, Rodrigues
critica a falta de transparência nas negociações da indústria ao consumidor. Segundo
ele, devido à falta de informações, não é possível identificar quem está abocanhando a
maior parte dos lucros. “Todos têm que ganhar. O consumidor deve receber um
produto de qualidade e pagar um preço justo por ele. Só que estamos vendo grandes
players que têm força e dominação de mercado, se aproveitarem”, diz o dirigente. O
presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo,
reconhece que o leite está “muito barato” e que, na contramão, o pequeno produtor,
“mal remunerado”.
No entanto, revida críticas: “É a própria indústria que dá a oportunidade”, disse,
referindo- se a negociações que normalmente resultam em descontos às redes
varejistas. Ao buscar explicações sobre as razões de o preço do leite não aumentar,
disse que alguns fornecedores podem ter excesso de produto. “É o mercado que
manda, e a lei da oferta e da procura ainda não foi revogada.” Na avaliação de Longo, a
proposta de criação de uma associação de fornecedores é válida, mas ressalta que,
para ter força, ela deverá possuir abrangência nacional. “Ossupermercados são
parceiros para fortalecer a cadeia e o consumo. É uma visão pequena pensar ocontrário”, pontuou o dirigente.
 

Fonte: Selectus, 4087, 27/11/2012, Correio do Povo

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