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Laticínios em compasso de espera

14, novembro, 2014

Michelle Valverde

A instabilidade econômica do país, o encarecimentoda matéria-prima, a realização da Copa do Mundo edas eleições fizeram com que este ano não fossefavorável para o desempenho da indústria de laticíniosde Minas Gerais. Para 2015, as expectativas tambémsão cautelosas, uma vez que serão necessáriasmudanças nas políticas de governo e maior controleda inflação para que a indústria recupere a margemde lucro e retome os investimentos.
Neste ano, a produção de leite em Minas, maior bacialeiteira do país, será de 9,7 bilhões de litros, aumentode 5%, frente ao volume captado em 2013. Os dados foram discutidos ontem durante a AssembléiaGeral 2014 do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), realizada naFederação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
De acordo com o presidente do Silemg, João Lúcio Barreto Carneiro, os laticínios, ao longo deste ano,tiveram as margens de lucro reduzidas, comprometendo os projetos de investimentos. "Os preços doleite pagos ao produto apresentaram incremento significativo ao longo do ano, mas a indústria nãoconseguiu repassar esse custo para os consumidores. Dessa forma, estamos trabalhando com amargem de lucro limitada. Os empresários estão cautelosos e esperando maior definição dos rumos daeconomia para investirem nas indústrias", explica.
Somente neste ano, os preços pagos pelo litro de leite em Minas Gerais ficaram, em média, entre 10%e 15% mais elevados que os praticados em 2013. Enquanto o repasse da indústria para o mercadoconsumidor foi de 5%.
Segundo o Silemg, o encarecimento da matéria-prima está diretamente relacionado à seca rigorosa eatípica que pressionou os custos de produção no Estado, uma vez que a oferta de pastagem foicomprometida e os produtores precisaram investir em aquisição de ração.
Captação – A produção de leite em Minas deve encerraro ano com aumento de 5% e captação de 9,7 bilhões. Oincremento só não foi maior devido ao período de seca,que afetou o rendimento do rebanho.
De acordo com Carneiro, o setor de lácteos ainda temmuito potencial para crescer no país, porém algunsgargalos ainda limitam a expansão do setor. "Paraavançar, o setor precisa de infraestrutura, o custo Brasil émuito alto, as rodovias e estradas vicinais são precárias,o que aumenta os custos de produção de leite. A energiaé outro ponto crítico, nas propriedades rurais ainda existemuita variação de tensão e o leite precisa de refrigeraçãoconstante desde as fazendas até a indústria".
Em relação a 2015, o segmento acredita que será mais um ano difícil para o setor industrial. "Ogoverno federal precisa colocar as contas em dia e fazer o ajuste fiscal. Esse tipo de intervenção podeacarretar na limitação de crédito e na elevação das taxas de juros, o que poderá dificultar,ainda mais,o cenário para a indústria. Os empresários ainda estão muito apreensivos em relação ao que virá apóso ajuste fiscal, que precisa ocorrer, apesar de existir um discurso político de que serão adotadasmedidas para que o setor industrial volte a crescer", avalia.
Estratégia passa pela diversificação do mercado
O presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), João LúcioBarreto Carneiro, diz que, para minimizar os efeitos da crise, a saída encontrada pelos laticínios será oinvestimento constante na qualidade dos produtos, que vem desde a matéria-prima, passando peladiversificação do mercado atendido e das linhas de produtos.
"Nosso objetivo é trabalhar a melhoria da qualidade do leite em Minas e, para isso, precisamos eliminaros atravessadores, conhecidos como "tanqueiros do leite". Vamos trabalhar em conjunto para queessas pessoas parem de atuar na comercialização da matéria-prima, que não tem qualidade garantidae nem procedência. Com o aumento da qualidade ganham todos, desde o produtor, que terá umaumento na renda, passando pela indústria, que terá maior rendimento, até o consumidor, que vaireceber produtos de maior qualidade", enfatiza.
A estratégia de diversificar as linhas de produtos e ampliar a atuação no mercado nacional tempermitido que o Laticínio Verde Campo, com sede em Lavras, no Sul de Minas Gerais, mantenha oritmo de crescimento. Somente em 2014 é esperada alta de 80% no faturamento da empresa.Há 14 anos no mercado, o laticínio produz alimentos voltados para consumidores que buscam porprodutos mais saudáveis, de baixa caloria, sem lactose, diets e também à base de soja.
De acordo com o diretor do Verde Campo, Alessandro Rios, até 2013, os produtos fabricados daempresa eram destinados somente ao mercado da região Sudeste, mas, em 2014, a empresa passoua atender outras regiões do país, projeto que será ampliado em 2015."A ampliação da atuação geográfica foi fundamental para o crescimento do laticínio, e esseposicionamento tem contribuído para que osefeitos da crise não interfira no nosso desempenho.
Também investimos constantemente na diversificação das linhas, em 2015 pretendemos lançar, pelomenos, mais seis produtos", explica Rios.

Fonte: Selectus 4565, 14/11/2014, Diário do Comércio,Michelle Valverde

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