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Dieta inadequada leva país a produzir menos da metade da média mundial de leite

03, maio, 2017

A produção brasileira de leite mais que dobrou nas últimas duas décadas, ao saltar de 15,7 bilhões de litros em 1994, para 35 bilhões, em 2014, conforme dados mais recentes da Pesquisa Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O desempenho da produção nacional de leite, ainda assim, fica bem aquém em comparação à média mundial: 1,6 mil litros contra 3,5 mil litros por vaca ao ano. Nos Estados Unidos, de acordo com o Sistema de Inteligência Setorial (SIS) do Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), algumas fêmeas bovinas alcançam uma média anual de 10,4 mil litros.
 
Conforme Renata Magalhães Schneider Simone, analista de Inteligência do SIS/Sebrae, em entrevista à equipe SNA/RJ, essa discrepância se deve a fatores relacionados ao clima e às raças mais produtivas, mas principalmente à alimentação.
 
“A quantidade de leite produzido por vaca está diretamente relacionada com as condições as quais o animal está submetido, ou seja, fatores como a alimentação, clima ou até mesmo a tecnologia no manejo influenciam a produtividade”, comenta a especialista.
 
Diretor da Sociedade Nacional de Agricultura e representante da SNA na Câmara Setorial do Leite e Derivados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Alberto Figueiredo ressalta que a “maior parte do rebanho bovino nacional não tem especialização genética para produção de leite”.
 
“Também não são observados os requisitos mínimos de conforto animal e alimentação adequada, sendo essas as principais causas da baixa produtividade média”.
 
Segundo Figueiredo, que também é secretário Municipal de Agricultura de Resende (RJ), “pelo fato de essas tecnologias exigirem maior comprometimento financeiro por parte do produtor, aumentam os riscos de insucesso, se não forem observados conceitos técnicos indispensáveis, o que leva uma grande maioria de produtores a submeter seus rebanhos a condições inadequadas de alimentação, trazendo, como consequência, a redução da produção média”.
 
A analista de Inteligência do SIS/Sebrae reforça que o “Brasil é um país extenso, com regiões bastantes distintas uma das outras”. “Por conta disso, alguns Estados possuem características mais ou menos propícias à produção de leite”, comenta Renata.
 
Ela cita que no Sul do país, por exemplo, estão os maiores produtores de leite, “provavelmente pelo fato de lá existir um clima mais adequado para a atividade”. “Já na região Sudeste, principalmente acima do Estado de São Paulo, o animal sofre um estresse térmico que prejudica a produção de leite.”
 
A analista comenta que também “é importante ressaltar que a média brasileira de produção de leite considera produtores rurais que não investem o suficiente na modernidade do campo e, consequentemente, possuem baixo nível técnico e controle de custos, logo, possuem baixa produtividade”.
 
Conforme Renata, “mesmo com condições climáticas atípicas, é possível aumentar a produção de leite investindo na alimentação do animal, fornecendo uma nutrição específica, de acordo com a fase em que ele se encontra”.
 
“A quantidade de leite produzido por vaca está diretamente relacionada com as condições as quais o animal está submetido, ou seja, fatores como a alimentação, clima ou até mesmo a tecnologia no manejo influenciam a produtividade”, comenta Renata Magalhães Schneider Simone, analista de Inteligência do SIS/Sebrae
 
DIETAS
 
A alimentação bovina representa o maior custo da produção leiteira e, por isso, o desenvolvimento de dietas adequadas é primordial para que os pecuaristas reduzam esses custos e possam ampliar suas margens de lucros. Esse é o foco do relatório “Dieta para bovinos leiteiros: a importância da alimentação” do SIS/Sebrae, que ainda apresenta fatores que impactam na dieta, tecnologias e cases de sucesso para orientar produtores rurais.
 
Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 1,3 milhão de pecuaristas de leite, atuando em fazendas que, por sua vez, são responsáveis pela ordenha de 23 milhões de vacas. Para a formulação de rações para as vacas leiteiras, o país utiliza o modelo do National Research Council (NRC), com foco na melhoria da eficiência alimentar, por meio da avaliação da dieta dos bovinos.

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