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Entressafra não garante preços altos aos produtores e gera desestímulo

27, outubro, 2006

O período de entressafra do leite no Brasil não foi suficiente para garantir aos produtores rurais preços mais altos, como ocorre todo ano, sobretudo entre junho e setembro.

O período de entressafra do leite no Brasil não foi suficiente para garantir aos produtores rurais preços mais altos, como ocorre todo ano, sobretudo entre junho e setembro. Já quase na fase de produção mais alta, que vai de novembro a março, o cenário agora é desanimador, porque indica preços ainda menores, devido ao aumento da oferta nacional do produto. Nos nove primeiros meses do ano, o valor do litro de leite pago ao pecuarista caiu 15%, conforme levantamento da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais - Faemg, divulgado ontem. A baixa lucratividade deve refletir-se este ano na produção. Especialistas acreditam num volume ordenhado menor em Minas que o de 2005, enquanto as importações de leite em pó também aparecem como fantasma sobre um mercado já assustado. Números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que o saldo da balança comercial de lácteos em setembro (diferença entre exportação e importação) ficou negativo, pela quarta vez este ano, com um déficit de US$ 6,49 milhões. O dólar desvalorizado em relação ao real causou um desequilíbrio no mercado nacional e as exportações subiram 18% nos nove primeiros meses, em relação ao mesmo período de 2005. As importações, porém, cresceram 125%. “Nem a entressafra melhorou o preço para o produtor, a exemplo de anos anteriores. Ele está estabilizado e todas as projeções agora são de queda”, diz Antônio Lima, assessor técnico da Faemg. Segundo ele, desde a queda de preços mais acentuada registrada em setembro de 2005, o preço pago ao produtor não conseguiu se recuperar. Com a produção nacional de leite no ano passado próxima a 16 bilhões de litros, a entrada excessiva de leite em pó e as exportações cada vez mais difíceis, as indústrias nacionais tiveram faturamento menor este ano. Por isso, o produtor teve remuneração menor e o consumidor conseguiu levar o leite para casa um pouco mais barato. O Índice de Preço ao Consumidor Amplo - IPCA, calculado pela Fundação Ipead, mostra que o litro do produto na capital ficou mais barato em agosto e setembro. As dificuldades do setor este ano têm levado produtores rurais a deixar o mercado de leite em Minas, segundo o presidente da Cooperativa dos Produtores Rurais do Prata - Cooprata, Adelino José Pereira Neto. “Tem muita gente saindo do ramo e as opções que estão aparecendo são arrendar a terra para plantação de cana-de-açúcar ou de eucalipto”, diz. Segundo ele o preço médio na região, que tem 1,1 mil produtores, está 20% mais baixo que o registrado no ano passado, com o litro de entrega a R$ 0,48. O dólar também mudou os planos da cooperativa, que pretendia embarcar doce de leite este ano para o exterior, mas teve de adiar os planos, por causa do real valorizado. A pesquisadora Raquel Mortari, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - Cepea da USP, diz que a produção este ano está crescendo em taxas menores que as de 2005, justamente por causa da migração de produtores para outras culturas. “Em São Paulo, por exemplo, o produtor tem arrendado terras boas para a cana e ficado com terrenos acidentados para pasto”, diz. Os relatórios semanais do Cepea mostram que o preço médio do leite em setembro foi de R$ 0,50, o mais baixo dos últimos seis anos para meses de setembro, enquanto a receita do produtor teve queda de 17%, em valores reais. De acordo com avaliação da Faemg, a perspectiva em Minas Gerais é de produção leiteira sem crescimento ou com crescimento abaixo do registrado no ano passado. O último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, de captação de leite, segundo o boletim técnico, mostra queda de 1% no volume do primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2005. As projeções, segundo a Faemg, indicam ainda retração dos preços pagos nas fazendas nos próximos meses, mesmo após queda de 15% no acumulado do ano.
Fonte: Selectus, 27/10/2006, O Estado de Minas

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