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Um novo ciclo de preços dos lácteos está se aproximando

08, março, 2019

Estão em vigor condições para um novo ciclo de preços do leite, diz o economista rural do ASB, Nathan Penny. Uma oferta global aperta e demanda firme, é o cenário para novos aumentos.
 
Os comentários foram feitos quando a Fonterra reviu o pagamento do leite para a temporada 2018/19. Penny disse que a revisão atingiu o topo das expectativas do banco. “Nossa própria previsão no início do mês teve um valor 25 centavos mais modesto”.
 
Penny observa que a revisão reflete o aperto no mercado de lácteos nos últimos três meses. As cotações no leilão da Fonterra aumentaram 17,3% desde o início de dezembro.
 
O crescimento da oferta é modesto na União Europeia (UE) e nos Estados Unidos (EUA), enquanto cai na Austrália. Enquanto isso, é provável que o recente clima quente signifique na Nova Zelândia, um crescimento da oferta restrito ao período de pico, acrescenta Penny.
 
“Os estoques globais estão bem menores que em anos anteriores. Os estoques de intervenção da UE eram um amortecedor contra qualquer aperto da oferta, no entanto, depois das vendas, entretanto, estão em níveis baixos, tornando a oferta de leite vulnerável.
 
Nossa visão é de que as condições atuais são propícias para o início de um novo ciclo de preços de produtos lácteos. Com isso em mente, já colocamos nossa previsão de NZ$ 6,25/kgMS sob revisão. É importante ressaltar que o ciclo está sendo preparado para a próxima temporada, conforme ficou evidenciada na projeção de NZ$ 7,00/kgMS para 2019/20”.
 
Penny observou que, embora o preço do leite esteja em alta, o desempenho da Fonterra continua a decepcionar.
 
A Fonterra revisou para baixo o lucro previsto de 2018/19, que foi reduzido para NZ$ 0,15-0,25/por ação. A cooperativa também anunciou que não pagará o adiantamento de dividendos este ano.
 
Informações adicionais
 
Argentina 12 pesos por litro?
 
O relatório do Observatório da Cadeia Láctea (OCLA) destaca que hoje existe uma capacidade provável de que o preço médio do leite ao produtor com destino à exportação de leite em pó integral chegue a 10,45/litro.
 
O valor hipotético de 11,95 pesos por litro seria para todo o leite, não somente ao destinado à exportação de leite em pó integral, se os dados esses dados concretos forem analisados pela famosa “Teoria James”, do qual o TodoAgro relatou em notas sucessivas.
 
Há 20 anos, o ex-presidente do Centro de Indústrias de Laticínios (CIL), Ricardo James, um especialista do comércio internacional de lácteos, esboçou uma teoria que dizia que quando a exportação de lácteos excedesse 13% do total produzido no país, o preço do produtor seria “internacionalizado”.
 
Os produtores olharam com desconfiança para a teoria, uma vez que consideraram um argumento pessimista, uma vez que mais de 85% do preço é formado por um “mix” do mercado doméstico, mas, a “Teoria de James” foi usada pela indústria, nos momentos em que o leite em pó era cotado entre US$ 1.200 e US$ 2.000/tonelada; e colocado no coquetel de elementos que compõem o preço da época, foi, claramente, um elemento de baixa.
 
No final da década de noventa a Argentina se preparava para quebrar um recorde de produção e o Brasil comprava tudo. Se hoje, que as coisas mudaram (em especial os preços do leite em pó que se move entre US$ 2.000 e US$ 3.500/tonelada), diríamos que sob a luz da “Teoria James” a Argentina teria seu preço totalmente internacionalizado, já que exporta mais de 20% de sua produção. E se a esses argumentos adicionarmos a hipótese do relatório da OCLA, ou seja, que o preço ao produtor, sem retenções, a conclusão é que o preço ao produtor argentino seria da ordem de US$ 0,29/litro.  
  
O que indicam os dados do OCLA
 
O relatório elaborado pelo OCLA, que usa dados de diversas fontes, destaca o seguinte:
 
A simulação da capacidade de pagamento do leite ao produtor em função do destino do mesmo para a exportação do produto 04.02.21.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM).
 
As exportações representam atualmente 21% do leite produzido e aproximadamente 43% delas, tanto em volume como em valor são de leite em pó integral. O quadro mostra de um lado os custos de elaboração e comercialização, o câmbio, o direito de exportação, a reintegração de impostos, a margem industrial e a conversão de litros de leite em quilos do produto. Do outro lado o valor que se pode conseguir para o leite em pó integral em pacotes de 25 quilos, em dólares por tonelada.   
  • Custo de elaboração e comercialização: os valores indicam que o mesmo fica entre US$ 500 e US$ 800/tonelada.
  • Câmbio: utiliza a cotação do dia para o dólar no Banco da Nação Argentina (BNA) para liquidar as exportações;
  • Direitos de exportação: é deduzido no câmbio 3,00 pesos por dólar (Decreto 793/2018).
  •  Reintegração de impostos: adiciona-se ao preço recebido, 0,75% que corresponde à devolução de impostos para esse tipo de produto (Decreto 767/2018);
  •  Margem Bruta da Indústria: considerar um percentual de margem sobre o valor FOB (4%).
  • Rendimento: efetua a média de litros necessários para elaborar uma tonelada de leite em pó integral (8.500). Os valores indicados oscilam entre os extremos de 8.290 litros/tonelada e 8.900 litros/tonelada. Nesse caso, se incorpora uma alternativa de 8.200 litros/tonelada.
  • Preços de exportação: os valores informados oscilam entre US$ 3.000 e US$ 3.200/tonelada, em função da quantidade e destino da exportação. Cabe lembrar que a última cotação no GDT (05/03/2019) o valor foi de US$ 3.186/tonelada para o leite em pó integral.
O preço médio de todas as alternativas indica uma capacidade provável de pagamento do leite ao produtor com destino à exportação de 10,45 pesos/litro (para o rendimento de 8.200 litros). Os valores são muito similares ao que se está pagando hoje pela matéria-prima. Cabe lembrar que não existe direitos de exportação (ultimamente reintroduzidos), e se a devolução for no seu valor normal de 3%, o valor médio chegaria a 11,95 pesos por litro (+14,3%), ou US$ 0,29/litro.
 
Por outro lado, e não de menor importância, cabe lembrar que mencionamos há muito tempo que, são estão reduzidos os níveis de estoques, fundamentalmente de leite em pó integral, produto com fortes vendas em 2018 e reduzida produção nos primeiros meses de 2019 (entre 5 e 7% menos em relação ao ano anterior).
 

“Este esquema é apenas uma orientação para os atores setoriais e foi baseado em consultas a quem tem ingerência direta no negócio e/ou experiência profissional sobre o tema”, esclarece o relatório do OCLA.   

Fonte: Selectus 5405,08/03/2019

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