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Processo de consolidação da produção leiteira vem se acelerando nos EUA

04, agosto, 2020

A medida equivalente em lácteos mostra um aumento de 16 vezes em 30 anos, afirmou o relatório.

 
Um novo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) mostra como a consolidação (aumento do número de grandes propriedades) na produção de leite do país continua em andamento em Wisconsin e outros estados. O estudo do Serviço de Pesquisa Econômica do USDA analisa as tendências da indústria de lácteos entre os anos 1980 e 2019. Ele constatou que o ritmo de consolidação do setor excede muito a taxa observada na maioria dos outros setores agrícolas. "A consolidação da produção agrícola dos EUA foi generalizada entre as commodities e persistiu ao longo do tempo; em 30 anos, dobrou. A medida equivalente em lácteos mostra um aumento de 16 vezes em 30 anos", afirmou o relatório.
 
O relatório constatou que a consolidação na produção de suínos e ovos ocorreu em um ritmo semelhante ao dos lácteos, mas outros setores da pecuária tiveram um ritmo muito mais lento. Mark Stephenson, diretor de análise de políticas de laticínios da Universidade de Wisconsin-Madison, disse que operações maiores são capazes de conter certos custos, diferentemente das operações menores. "Isso não significa que as fazendas menores estão fadadas a desaparecer. Mas, com o tempo, elas mudam".
 
O relatório do USDA descobriu que, no ano 2000, fazendas com 2.000 vacas ou mais representavam apenas 4,5% da produção de leite dos EUA. Até 2016, esse grupo representava 35,2%.
 
O relatório também mostra que o número de rebanhos leiteiros licenciados no país caiu mais da metade entre 2002 e 2019. A queda foi de 4% ao ano até 2017, mas essa taxa acelerou para 6,8% em 2018 e 8,8% em 2019. Grande parte do declínio vem de um número decrescente de pequenas fazendas comerciais, definido pelo relatório como fazendas com menos de 200 vacas. O relatório constatou que a tendência está concentrada no Centro-Oeste e Nordeste, principalmente em Minnesota, Nova York, Pensilvânia e Wisconsin.
 
Stephenson disse que a descoberta não é uma surpresa para muitos em Wisconsin, onde osrebanhos leiteiros licenciados vem diminuindo em números recordes nos últimos anos. "Vimos fazendas que têm todo tipo de coisas acontecendo, o que indica que provavelmente são fazendas de última geração", disse Stephenson. "Eles são menores. Os operadores podem ser mais velhos. Eles podem não ter um sucessor e seus investimentos para substituir parte da estrutura de capital estão apenas mantendo um padrão. E deixar a atividade é provavelmente uma coisa muito sensata para eles fazerem enquanto imaginam o caminho que levará à aposentadoria".
 
Mas Joleen Hadrich, especialista em extensão da Universidade de Minnesota, disse que o Centro-Oeste está perdendo mais pequenas fazendas leiteiras comerciais porque outras regiões já experimentaram grande consolidação. "A razão pela qual nossas pequenas fazendas leiteiras foram bem-sucedidas no meio-oeste e no nordeste se deve ao número de processadores e cooperativas locais que estão processando o leite. Portanto, ainda há um mercado competitivo no qual você pode vender seu leite. E nessas outras regiões, onde é mais consolidado, você pode ter apenas um processador como opção", afirmou Hadrich.
 
Hadrich trabalha principalmente com fazendas leiteiras, com o objetivo de melhorar a lucratividade da atividade, dadas as rápidas mudanças nas condições do mercado. O relatório do USDA mostra que oscilações mensais nos preços do leite ficaram mais frequentes nos últimos anos. Na década de 1980, os preços do leite variaram de US$ 25 a US$ 31,7 por 100 quilos. Na década de 2000, esse intervalo foi entre US$ 24,4 e US$ 48,6 por 100 quilos.
 
Hadrich disse que essa volatilidade de preços chegou para ficar, então os produtores precisam pensar mais sobre lucratividade e gerenciar seus riscos. "O preço de uma barra de chocolate aumenta consistentemente, certo? Não diminui com o tempo. Portanto, é um desafio único que os produtores de leite enfrentam. Assim, uma das principais recomendações que tenho para meus produtores é que realmente precisam conhecer seu break-even (ponto de equilíbrio) ou o seu custo de produção", disse Hadrich.
 
Ela também incentiva as fazendas a usar contratos a termo, onde elas garantem um preço para a futura produção de leite. Stephenson disse que esses tipos de ferramentas de gestão de risco são como as grandes fazendas leiteiras foram capazes de se proteger contra as oscilações de preços nos últimos cinco anos. "O que tendemos a ver é que fazendas maiores têm menos relutância em usar as ferramentas de gestão de risco disponíveis", disse Stephenson. "Eles estão se protegendo contra os valores baixos e desistindo de alguns valores máximos para poder fazer isso".
 
Stephenson disse que não existe mecanismo para evitar mudanças repentinas no preço do leite. Mas alguns processadores de laticínios estão tomando suas próprias medidas para tentar diminuir o impacto. "As cooperativas ou até as fábricas de laticínios que compram diretamente de fazendas na crise da Covid simplesmente disseram a seus produtores: Não podemos lidar com tanto leite. É preciso reduzir 5% ou algo parecido", disse Stephenson. "Eles criaram um grande desestímulo à produção de leite acima desse nível. Isso reduziu a oferta de leite e ajudou a recuperar os preços. Portanto, esses tipos de mecanismos podem ser usados para ajudar a moderar as oscilações de preços".
 
Stephenson argumenta que os consumidores também podem ter algum impacto no futuro da indústria de laticínios. "Eu acho que muitas pessoas valorizam o campo com uma estética que pode incluir pequenas fazendas", disse Stephenson. "Se eles estão dispostos a pagar pelos custos adicionais destacados por um estudo como este, então tudo bem, vamos ter mais desse tipo de indústria. Mas isso está nos mostrando que há custos para manter algumas das coisas, que podemos sentir que são atributos desejáveis para um sistema de lácteos".
 
Tim Trotter, diretor executivo da Dairy Business Association, disse que a consolidação contínua e o tamanho crescente das fazendas são inevitáveis para produção leiteira, assim como muitas outras indústrias. "Essa tendência provavelmente não vai mudar. Mas isso não quer dizer que fazendas menores ou médias não sejam lucrativas", disse Trotter. "Tudo tem relação com o bem-estar financeiro e este nem sempre é ditado com base no tamanho da fazenda".
 

Trotter também disse que consolidação não é necessariamente uma "palavra ruim". Há muitos benefícios para os produtores que decidem consolidar, disse ele, como alcançar custos de produção mais baixos e permitir que os produtores tenham um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal compartilhando o trabalho. "Acho que é só ficar de olho na bola e saber para onde você vai e entender quando precisa fazer algumas mudanças", disse Trotter.

Fonte: El Economista, traduzidas pela Equipe MilkPoint, 03 ago 2020

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