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Demanda firme segue sustentando os preços do lácteos

21, agosto, 2020

Os preços dos produtos lácteos registraram outra semana de alta generalizada. As negociações no mercado Spot na última semana tiveram boa demanda, o que sustentou os preços.

 
Os preços dos produtos lácteos registraram outra semana de alta generalizada. As negociações no mercado Spot na última semana tiveram boa demanda, o que sustentou os preços. No mercado atacadista, o leite UHT atingiu R$ 3,53 por litro, o que mostra uma valorização de 24 centavos em relação ao início de agosto. O mesmo ocorreu com o queijo muçarela, que já teve alta de R$ 2,54, atingindo R$ 28,44/kg. 
 
O leite em pó fracionado também se valorizou na semana, ilustrando o movimento firme de demanda inter-na. Segundo a Nielsen, o volume de vendas de lácteos cresceu 5,3% de janeiro a junho na comparação com o mesmo período do ano passado. Já a produção de leite registrou queda de 0,5% segundo o IBGE. Portanto, a valorização dos preços tem refletido uma oferta bem aquém da demanda nesta entressafra.
 
Demanda interna e exportação mantêm preços de soja e milho mais altos
 
A última semana foi de nova alta nos preços do farelo de soja e do milho. Os produtores de milho seguem retendo o produto e há uma forte demanda das tradings para embarques nos próximos meses. Os consumidores domésticos também estão aceitando pagar preços mais altos no cereal. As altas nos mercados de boi, frango, suíno e leite estão dando suporte a essa demanda interna. (Fonte: CILEMBRAPA,19 ago 2020)
 
Aumento da demanda faz preço do leite subir
 
O setor de lácteos no Brasil vem obtendo resultados positivos e, apesar da pandemia de Covid-19, a demanda segue em alta. Isso é que concluiu os especialistas do Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, em sua reunião mensal de conjuntura, realizada na primeira quinzena de agosto. A pressão da demanda teve como consequência o aumento de preços de diversos produtos. Segundo Kennya Beatriz Siqueira, pesquisadora da instituição, a valorização se deu de forma generalizada e o volume de vendas de lácteos cresceu 5,3% no primeiro semestre, conforme dados da Nielsen.
 
O leite UHT (de caixinha), por exemplo, atingiu de R$ 3,42 no atacado em São Paulo (a média histórica do preço é de R$ 2,82). A muçarela foi o produto que mais valorizou. No início da pandemia, houve uma retração do preço devido ao fechamento de pizzarias e restaurantes, com o quilo da muçarela sendo vendido a R$ 17,00, em média, no atacado. Hoje, pode chegar a R$ 27,00 o quilo (a média histórica é de R$ 19,50). No segmento da indústria, o mercado “spot” (leite negociado entre laticínios) era vendido no início de agosto acima de R$ 2,50/litro. Denis Rocha, especialista da Embrapa Gado de Leite, lembra que, no início do ano, o litro do leite spot foi vendido a R$ 1,37, em Minas Gerais.  “Desde então, o leite spot quase dobrou de preço, com valorização de 87%”, calcula Rocha.
 
A entressafra da produção de leite começou em abril e vai até setembro, período em que os preços ao consumidor ficam mais caros. Para o produtor, este é o período em que se consegue a melhor valorização do produto. O litro de leite na fazenda foi vendido em julho a R$ 1,76, na média nacional. Mas, em plena safra, no início do ano, a indústria estava pagando R$ 1,37. Agora, a preocupação do produtor se volta para os custos de produção. Segundo Glauco Carvalho, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, o preço do milho está subindo em plena colheita da safrinha. Além disso, as exportações de soja estão mais aquecidas, o que deve manter elevados os custos de concentrado neste segundo semestre. O produtor também está pagando mais pelo concentrado. Na média de janeiro a julho, foram necessários 45 litros de leite para comprar 60 quilos de concentrado a base de milho (70%) e farelo de soja (30%). Historicamente, são necessários 41 litros de leite para a mesma compra.
 
Carvalho explica que a situação positiva do setor leiteiro se deve, principalmente, ao auxílio emergencial, concedido pelo governo, injetando, até o momento, R$ 152 bilhões na economia. “A ajuda do Governo Federal representa de 9% a 97% na renda de algumas famílias”. Para o pesquisador, pessoas que estavam na extrema pobreza tiveram um grande impacto com o auxílio e passaram a consumir mais. As famílias com o poder aquisitivo mais elevado também transformaram o que não foi gasto com lazer em compras nos supermercados, o que fez as vendas do setor supermercadista crescerem 16% no período da pandemia, enquanto o varejo total recuou 26%, segundo levantamento da Cielo. O cenário macroeconômico também possui expectativas mais favoráveis hoje, na comparação com o início da pandemia. As previsões de queda do PIB, que chegaram próximas a 10%, se estabilizaram na faixa de 5%.
 

“É impossível fazer previsões de longo prazo em um cenário tão complexo da economia como esse”, afirma Carvalho, mas alguns fatores preocupam o setor. Entre eles, está o fim do auxílio emergencial. O governo ainda não tem uma posição sobre a continuidade do benefício. “O fim da entressafra é outro fator que irá embaralhar um pouco o mercado, com a redução dos preços pagos ao produtor”. Carvalho reflete, porém, sobre a competitividade da importação neste momento: “O leite importado está chegando ao mercado brasileiro com os preços em torno de R$ 2,10 por litro; bem abaixo do que está se pagando no mercado spot nacional (R$ 2,50), o que incentiva a importação”. Nos primeiros sete meses do ano, a importação de leite teve uma queda de 193 milhões de litros, mas julho já registrou um crescimento de 62% sobre junho, com compras equivalentes a 95 milhões de litros. E a importação continua mostrando fôlego em agosto. A questão cambial tem poder para frear esse movimento, como conclui o pesquisador: “O câmbio tem se mostrado muito instável na pandemia e ele é um dos fatores com grande capacidade de influenciar o mercado”. (Fonte: Por: Embrapa, Centro de Inteligência do Leite, da Embrapa Gado de Leite, 17 ago 2020)

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