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Baixa disponibilidade de leite, alto custo e risco climático

21, setembro, 2021

Os preços dos produtos lácteos registraram ligeira alta no leilão GDT de 07 de setembro.

 
Os preços dos produtos lácteos registraram ligeira alta no leilão GDT de 07 de setembro. O leite em pó integral fechou em US$3.691/tonelada, alta de 3,9%. Foi a primeira alta após seis quedas consecutivas. A alta no custo de produção vem impactando negativamente as margens na pecuária de leite internacional, reduzindo o ritmo de expansão da oferta em alguns países/regiões. Na Europa, a produção ficou estável nos primeiros sete meses do ano em relação ao ano passado. Austrália, Brasil e Chile apresentam situação similar, de crescimento nulo. Por outro lado, a China segue com um bom volume de importação.
 
O mercado brasileiro vem convivendo com baixa disponibilidade de leite, o que tem sustentado as cotações. No primeiro semestre a produção de leite cresceu apenas 0,46% em relação ao ano passado. A disponibilidade per capita subiu 0,65%, com um desempenho muito fraco no segundo trimestre. Já a disponibilidade total (produção + importação – exportação) cresceu 1,47%, sustentada pelas importações, o que já se reverteu nos meses de julho e agosto. No balanço do semestre, houve um incremento de 185,9 milhões de litros na disponibilidade interna, sendo que 70% deste volume veio da balança comercial. Portanto, a produção interna não tem crescido significativamente em função do alto custo de produção, baixa rentabilidade e clima adverso em diferentes regiões, seja por seca ou geadas.
 
Os preços do leite no mercado atacadista ficaram relativamente estáveis nas últimas semanas. Com o mercado consumidor mais retraído, os repasses têm sido mais difíceis no varejo. No caso do preço do leite ao produtor, ocorreram aumentos seguidos desde abril, fechando agosto em R$2,36/litro, segundo o Cepea. Mas a situação de rentabilidade segue complicada. Nos últimos 12 meses, a alta nos custos de produção foi próxima de 40%, segundo o ICPLeite/Embrapa. O alimento concentrado aumentou 64% e o volumoso 58%. A pressão de custo provocada por fertilizantes e defensivos também tem sido acentuada. Dessa forma, com baixos estoques de grãos, alta nos fertilizantes e um clima mais adverso, a tendência é que os custos continuem elevados.
 
As previsões climáticas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) sugerem alerta para os próximos meses, com alta probabilidade de ocorrência do fenômeno La Niña a partir de outubro. Tais projeções indicam chuvas abaixo da média até o final de 2021 e início de 2022 para a Região Sul do Brasil. Para as demais regiões, espera-se chuvas próximas da média histórica.
 
A tendência é que a disponibilidade de leite no mercado brasileiro siga baixa e o segundo semestre seja também de margens apertadas em toda a cadeia produtiva. Os indicadores de vendas dos supermercados têm mostrado enfraquecimento em volume, sentindo os impactos do desemprego e da alta no custo de vida das famílias. As classes C, D e E têm sido mais afetadas, com consumidores focando em alimentos básicos. O lado positivo vem de uma retomada do food service, mas ainda de forma modesta.
 
O ambiente macroeconômico segue complicado, com uma agenda difícil para o segundo semestre em termos de reformas e política econômica. As previsões de PIB pioraram nas últimas semanas, sendo esperado um crescimento de 5% para 2021 e de apenas 1,7% para 2022. Excetuando os setores de commodities e aqueles ligados mais a exportação, que estão indo bem, diversos fatores têm influenciado para um pior desempenho econômico: maior restrição de gasto do governo; inflação e juros mais altos; elevado desemprego e custo de vida restringindo o consumo das famílias; e volume de investimentos ainda baixos. (Fonte: CILEITE, EMBRAPA, 20 set 2021)
 
Figura 1. Disponibilidade per capita de leite (litros/ habitante)
 
 
Fonte: IBGE/ME. Elaborado pela Embrapa

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