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Aumento do preço chega ao consumidor e prejudica lucro das empresas

06, agosto, 2007

O consumidor percebeu rapidamente os reflexos da disparada do preço do leite no Brasil e no mercado internacional.

O consumidor percebeu rapidamente os reflexos da disparada do preço do leite no Brasil e no mercado internacional. O longa vida e o leite em pó subiram mais de 30% logo depois que estourou a crise. Para os fabricantes de derivados do leite, porém, a equação é mais complicada. Em um mercado muito mais competitivo, repleto de produtos de alto valor agregado e sem tradição de oscilações bruscas de preço, as empresas precisaram segurar o freio na hora de repassar o aumento do principal insumo para as gôndolas - sob pena de perder mercado. Mas, ainda que tardia, a alta foi inevitável. A elevação dos preços foi recente - a partir de junho e, principalmente, julho - e ainda não consegue ser detectada no levantamento da Nielsen, por exemplo. Mas redes de varejo consultadas pelo Valor e as próprias empresas admitem um aumento entre 5% e 15% dos preços. "O iogurte foi o que mais subiu", afirma fonte de uma grande rede varejista. Aliás, um dos motivos para o repasse tardio foi justamente a pressão do varejo. A negociação foi árdua e, em muitos casos, ficou abaixo do planejado pelas companhias. Sem falar que leva de 30 a 60 dias para que a alta chegue na ponta. "Está muito difícil de o supermercadista aceitar o aumento, mas está difícil de suportar também", diz Wlademir Paravisi, diretor geral do negócio Batavo. A Batávia, que pertence à Perdigão e é dona da marca Batavo, tem 60% da receita vinda da chamada linha refrigerada, que inclui iogurtes, leite fermentado e petit suisse. Segundo Paravisi, a empresa esperou até julho para aumentar os preços dessa linha de produtos. "O comportamento dos refrigerados não é tão conectado ao leite, mas ficou impossível segurar por mais tempo." E quando resolveu reajustar seus produtos em 6%, a empresa assistiu justamente ao cenário que mais temia. O resultado foi uma queda do volume de vendas próximo a 10%. Por ter absorvido o aumento do custo por alguns meses e ainda ter tido um impacto negativo nas vendas depois do repasse, a crise do leite afetou os resultados da Batavo. "Já consumiu todo o lucro projetado para o primeiro semestre", diz Wlademir. Por conta da defasagem entre a negociação do aumento com o varejo e a cobrança efetiva na ponta, as empresas reclamam que o reajuste já chega aos supermercados defasado. "A tabela que está chegando agora já está desatualizada. Precisaríamos aumentar entre 5% a 7% acima dos 10% que negociamos lá atrás", afirma Valter Montovanini, vice-presidente de operações da Vigor. Além dos iogurtes, a empresa também vende manteiga, margarina e é dona das marcas Danúbio e Faixa Azul, de queijos. A Vigor espera agora para saber como será a reação do consumidor. "Também não adianta aumentar o preço e não vender", afirma Mantovanini. "Dependendo da resposta, é preferível parar a produção de algumas linhas." De qualquer forma, a indústria está mais confiante com o mês de agosto, com a volta às aulas, e com o segundo semestre, quando tradicionalmente há um aumento do consumo de alimentos. (Fonte: Selectus 2801, 06/08/2007, Valor Econômico) O movimento de recuperação da renda, que levou as camadas mais baixas a entrar nesse segmento, e aumentar a demanda pode ajudar no repasse parcial dos aumentos, avalia o analista Rafael Weber, da Geração Futuro. Por outro lado, esse público não está disposto a pagar mais. É por isso que as marcas mais baratas podem sair vitoriosas no curto prazo. "Todo mundo reajustou o preço na casa de 10%, mas quem já tinha preço mais baixo e, mesmo com o aumento, continuou abaixo dos outros saiu ganhando", diz Edna Figueiredo, gerente de categorias da Coop, rede de supermercados do ABC paulista. Tanto a Coop, quanto outro grande varejista diz que não houve queda nas vendas ou falta de produto. Mas a dança das cadeiras já começou e, a partir de agora, o segmento deve assistir a um importante movimento de transferência de marcas. As duas principais empresas do mercado, as multinacionais Danone e Nestlé não abrem sua estratégia, mas segundo fontes do mercado, estão sendo afetadas na proporção do seu tamanho. Em comunicado, a Nestlé disse que "no caso específico do preço do leite in natura, embora tenha registrado uma elevação de 100% nos últimos quatro meses, a Nestlé absorveu uma boa parte deste expressivo aumento, mas não foi possível evitar repasses gradativos para o preço dos produtos fabricados com esta matéria-prima." A empresa disse que não consegue medir impacto do aumento nas vendas. Os preços do leite dispararam por conta da entressafra no Brasil e pela falta do produto no mercado internacional - impulsionada pelo aumento do consumo chinês. O Brasil aumentou as exportações e a oferta, por aqui, ficou ainda mais escassa.
Fonte: Selectus 2801, 06/08/2007, Valor Econômico

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