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Setor lácteo vive "boom" com as aquisições entre empresas

11, abril, 2008

Em seis meses, cerca de R$ 2,3 bilhões foram gastos no Brasil com aquisições de indústrias lácteas.

Em seis meses, cerca de R$ 2,3 bilhões foram gastos no Brasil com aquisições de indústrias lácteas. No período, foram feitas sete compras, incluindo a das marcas Poços de Caldas e Paulista, pela Parmalat, anunciada nesta semana. O movimento acompanha a tendência positiva para o setor que, no ano passado, foi o com maior rentabilidade na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), entre as empresas do agro negócio, e de maior lucro na atividade dentro da porteira. "Não se trata de um modismo. O que ocorre é que as indústrias estão vislumbrando que o mercado do leite, tanto brasileiro quanto internacional, é bom. A perspectiva é de resultado positivo para o setor", diz Maurício Nogueira, da Scot Consultoria. Ele lembra que nos últimos 15 anos o setor praticamente não recebia investimentos, pois com a abertura econômica, no governo do ex-presidente Fernando Collor de Melo, e o Mercosul, muitas empresas haviam perdido competitividade. Segundo levantamento da Economática para a Gazeta Mercantil, a rentabilidade das empresas do agro negócio na Bovespa, neste ano, está pulverizada: 16 têm resultados positivos e 17 possuem desempenho negativo. Entre elas, a Laep Investments Ltda, controladora da Parmalat, que até o dia 9 acumulava perdas de 47,6% - a única do segmento de lácteos com resultado negativo. O analista Fernando Exel diz que a empresa não costuma fazer análises por segmento ou indústria, mas lembra que, de um modo geral, as aberturas de capital (IPOs, na sigla em inglês) foram feitas com preços que previam um crescimento de geração de caixa otimista, que não se confirmaram. "A maioria dos IPOS perdeu valor", diz. Ontem, as ações da Laep encerraram o pregão a R$ 4,70, com valorização de 9,3%. Para analistas de mercado, a onda de aquisições é um processo natural do setor, que acarretará em uma concentração. Hoje, o segmento é pulverizado e, até as últimas aquisições da Perdigão, a diferença no ranking de captação era grande entre a primeira e as demais colocadas. "Agora tem gente em pé de igualdade para competir com a Nestlé, inclusive a Parmalat, que se recuperou. É bom que se concentre nas mãos de algumas, mas não de uma ou duas", avalia Nogueira. Para o diretor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, as indústrias do agro negócio têm se transformado em empresas de alimentos, diversificando a atuação e, neste sentido, ele considera natural a expansão para os lácteos. "Assim, a tendência da indústria de alimentos é se concentrar para ganhar escala", afirma Ferraz. Ele acrescenta também a atratividade do segmento de lácteos, em que a demanda mundial tem crescido acima da capacidade de aumento da produção. "O que quer dizer que os preços subirão", conclui. Nos últimos 12 meses, as cotações internacionais do produto saltaram de uma média histórica de US$ 2,5 mil a tonelada para mais de US$ 5 mil - atualmente estão próximos a US$ 4,5 mil a tonelada.
Fonte: Selectus 2965, 11/04/2008 Gazeta Mercantil

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