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Laticínios viraram “caça e caçador”

14, abril, 2008

Em menos de 15 dias, os laticínios brasileiros assistiram assombrados a um festival de aquisições.

Em menos de 15 dias, os laticínios brasileiros assistiram assombrados a um festival de aquisições. O leite, patinho feio do agro negócio brasileiro, tornou-se um dos principais atrativos do momento. “Nunca imaginei que a concentração ia ser tão rápida”, diz o presidente da Líder Alimentos, Fortunato Bérgamo, que há 20 anos acompanha o setor - primeiro como produtor e mais recentemente como executivo. A Líder, empresa familiar do Paraná foi disputada recentemente por dois grandes fundos: a holandesa AIG Capital e a brasileira GP Investimentos. (Fonte: Selectus 2966, 14/04/2008, O Estado de SP) “A AIG está mapeando o setor. Ela gostou do que viu, mas ainda não chegou a um bom termo em negociações”, afirma o diretor da AIG, Marcelo Aguiar. O negócio não foi adiante porque a Líder estava prestes a fechar duas aquisições, explica Bérgamo. Em fevereiro, ela comprou a Saga, de Mato Grosso do Sul, e a mineira Boa Nata. Com isso, seu faturamento vai saltar de R$ 376 milhões para R$ 600 milhões neste ano. A Líder ainda quer um sócio minoritário para continuar fazendo aquisições e chegar à bolsa de valores no período de três a cinco anos. “O negócio do leite exige escala e diversificação. Os laticínios não podem ser muito dependentes do leite de caixinha, que é muito instável”, explica Bérgamo. A corrida é tamanha que, de uma hora para outra, alguns laticínios viraram caça e caçador. Tudo ao mesmo tempo. O caso da Líder Alimentos é exemplar. Mas não é o único. A Alimentos Nilza, que desde 2006 pertence ao empresário Adhemar de Barros Neto, tem sido assediada de todos os lados ao mesmo tempo em que disputa com a GP a compra da Leitbom, de Goiás, um dos maiores laticínios do País No fim do ano passado, ela vendeu 12% das ações para o BNDES. “A estratégia é crescer por aquisições”, explica Barros Neto. O empresário pode ser visto como um visionário. Em 2005, acompanhou a reestruturação do laticínio, que estava afundado em dívidas de quase R$ 60 milhões, e enxergou a oportunidade de transformar a Nilza numa marca de alimentos. Na ocasião, a produção estava restrita ao leite de caixinha. “Hoje temos requeijão, creme de leite, queijos. No segundo semestre, vamos inaugurar uma fábrica de leite condensado e em pó.” Três porcento é quanto cresce a demanda mundial por leite; 2% é o aumento da produção mundial do leite; 5% é a previsão de queda para este ano na produção de leite da Argentina e da Austrália, dois grandes exportadores; US$ 5,7 mil foi a cotação da tonelada do leite em julho de 2007, quase o triplo do valor normal; US$ 273 milhões foram as exportações de leite do Brasil - 97% acima das de 2006.
Fonte: Selectus 2966, 14/04/2008, O Estado de SP

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