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Receita das exportações de lácteos cresce substancialmente

14, maio, 2008

Entre janeiro e abril deste ano, o valor exportado pelo Brasil em lácteos já equivale à quase metade do que foi vendido ao exterior pelo setor em 2007 inteiro.

Entre janeiro e abril deste ano, o valor exportado pelo Brasil em lácteos já equivale à quase metade do que foi vendido ao exterior pelo setor em 2007 inteiro. A receita com os embarques desses produtos alcançou US$ 152,2 milhões nos primeiros quatro meses do ano, 158% mais do que os US$ 59 milhões de igual período de 2007, de acordo com números do Ministério de Desenvolvimento. "Falta alimento no mundo e melhorou a situação econômica dos países em desenvolvimento", afirma Rodrigo Alvim, dirigente da CNA, sobre o crescimento das exportações brasileiras. Considerando apenas o mês de abril, o superávit foi de US$ 37,5 milhões. No mês passado, as empresas brasileiras exportaram US$ 54,4 milhões e os volumes somaram 15,5 mil toneladas. Desse total, 8,4 mil toneladas foram vendas de leite em pó integral, e mais da metade disso foi para a Venezuela, que vive escassez do produto e tenta driblar a inflação. O país de Hugo Chávez, aliás, vem sendo o principal cliente do leite em pó brasileiro. Entre janeiro e abril, as vendas totais do produto ao exterior somaram US$ 99,5 milhões, com um volume de 21,8 mil toneladas. Só a Venezuela comprou US$ 31,7 milhões, seguida por Cuba, com US$ 20,7 milhões. Questionado se a dependência do mercado venezuelano preocupa, Rodrigo Alvim afirma que "enquanto [o país] estiver pagando bem, não". E acrescenta: "Enquanto eles estiverem vendendo petróleo para os EUA, não". Assim como outros países produtores de petróleo, a Venezuela vem se beneficiando com a alta da commodity. Jacques Gontijo, presidente da mineira Itambé, que exporta cerca da metade do leite em pó vendido pelo Brasil ao exterior, acredita que o ano terá outros meses positivos como o de abril. Ele avalia que é possível dobrar a receita com as exportações do setor em relação a 2007. Uma das razões para o otimismo é que a produção de leite é crescente no Brasil enquanto produtores importantes, como a Nova Zelândia sofrem restrições na oferta. O país, que é o maior exportador mundial de lácteos, reduziu sua oferta de leite por causa da seca. "Eles deixaram a América Latina para nós", afirma Gontijo. O Brasil também exporta para países da África. A produção australiana também foi afetada pela seca e para piorar o quadro de oferta de leite, os custos de produção aumentaram nos EUA e a União Européia ficou com menos disponibilidade para exportar após sua ampliação para 27 países, observa Alvim. Ele também acredita num desempenho melhor das exportações este ano se o atual cenário persistir, mas diz que o dólar fraco ante o real preocupa. Por enquanto, os preços elevados do leite no mercado internacional estimulam a exportação. O leite em pó, que alcançou quase US$ 6 mil por tonelada em meados de 2007, recuou para US$ 3,8 mil, mas agora já retornou à casa dos US$ 4,6 mil, segundo Gontijo.
Fonte: Selectus 2986, 14/05/2008, Valor Econômico

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